terça-feira, 11 de outubro de 2011

E de repente ela parou de esperar...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ela acordou, colocou os óculos, lembrou das coisas que ouviu no dia anterior e sorriu.  Sorriu ao lembrar do carinho, afeto, palavras doces, sorrisos. Sorriu porque sabia que as coisas iam devagar ficando todas em seus devidos lugares.  Como não sorrir depois de tudo aquilo? E como não amar ainda mais o pôr-do-sol? O céu tingido de vermelho e laranja, a lua quase aparecendo, aquele ventinho bom e esperado. E isso é só o começo, pensou enquanto voltava lentamente a dormir.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Agora. Agora? O que é que define agora mesmo? O primeiro agora que digitei nesse instante já passado e agora isso também já não importa. E o que importa agora? Agora importa que cantamos canções, jogamos conversas sem preocupação pela janela, rimos, confabulamos, nos entendemos. Agorinha mesmo tudo isso acontecia e eu ia chegando a conclusão de que tá tudo bem agora. E o resto? E o que passou? E a dor, o pesar, o sentir e o sofrer? Nada disso mais faz parte do agora. Agora vamos sorrir e voltar a ser criancinhas correndo e brincando. Agora vamos fingir que não há com que se preocupar e que tudo fica bem se nos fizermos sorrir. Agora vamos lutar, sonhar, sorrir e fazer tudo aquilo que der vontade. Agora a gente já não tem medo. Agora, agora tudo é maravilhoso, tudo está em seu lugar. E o mais importante é ter a certeza de que esse agora é sempre o que vai vir depois de agora.

domingo, 11 de setembro de 2011

É só mais uma noite como outra qualquer. Chegou em casa e sentiu sozinha como em todos os outros dias, sentiu tudo aquilo que não queria mais sentir. As lágrimas teimosas cismaram em cair em cima do teclado do computador e do livro que estava lendo. Nada mais fazia sentido e tudo o mais não poderia ser dito, escrito ou falado. A vontade de sumir permanecia ali como sua única companheira. Lembranças da semana e do dia a assombravam e só faziam com que o sentimento de solidão aumentasse cada vez mais. Onde foi que tudo mudou mesmo? Aonde é que erramos tanto? Nada mais parecia ser capaz de lhe preencher, de lhe fazer sorrir, de lhe deixar feliz. Ela se esforçava, conseguia por uns meros segundos e depois era invadida sem dó nem piedade de novo pela angústia. Desejo maldito, profano e insano que insistia em invadir-lhe a mente nos momentos menos propícios de modo que ela só queria gritar até ficar louca. Louca? Louca já estava há tempos quando se permitiu chegar a tal situação. Seus lábios podiam mentir mas seus olhos mostravam toda aquela tristeza que ainda insistia ali, dentro dela. Sua música, sua dança, seu canto nada mais parecia ter cor, nem sentido, nem graça. Uma vida cinza, monocromática que só a irritava mais. E o que fazer? Como não se magoar? Como não sentir? Parar era um verbo que dificilmente fazia parte de seu vocabulário e isso só tornava tudo mais dolorido. E ainda tem essa dor de cabeça que acompanha todos os problemas só pra não ser tão simples assim. E era então que ela fazia aquilo que lhe restava: chorava e implorava aos céus que aquilo parasse, que houvesse uma luz ou alguém com quem dividir tanta solidão. Assim como no resto de sua vida ela só podia esperar, esperar, esperar...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Praticar o desapego sem praticar indiferença. Cair, se erguer e sorrir. Ter coragem de dizer tudo aquilo que quer dizer a quem quiser dizer da forma que bem entender. Xingar, gritar, por pra fora tudo que ainda te machuca, te faz sofrer e te chateia. Sorrir, cantar, dançar sozinho na rua. Sentir-se vivo, sentir-se você. Admirar estrelas, contar nuvens, sentir os raios de sol sobre sua pele ou os pingos de chuva em sua face. Ouvir uma canção que tenha muito a dizer ou talvez uma que não faça sentido nenhum. Não se esquecer do que você é, daquilo em que você crê, de cultivar boas sementes e colher os bons frutos. Mudar aquilo que tiver que ser mudado sem medo de se trair. Não ter vergonha de ser apenas você, de cara limpa e alma lavada.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ninguém mandou ter um coração que bate, pois é. Ninguém mandou também deixar ele bater livremente assim, sem nem tentar filtrar ou impedir. Ninguém avisou como proceder conforme as batidas começassem a te levar a lugares desconhecidos sem nenhum motivo aparente. Ninguém deixou você colocar nesse mesmo coração plaquinhas: ENTRADA SOMENTE PESSOAS AUTORIZADAS, SÓ ENTRE SE FOR CHAMADO ou ainda PROIBIDA ENTRADA DE PESSOAS ESTRANHAS. Ninguém avisou que você ia mobilhar e transformar o pequeno espaço do seu coração num lar pra ele permanecer vazio.
Ninguém disse que por causa desse ciclo infeliz de batidas você ia sofrer e se descabelar. Também ninguém teve a menor sensibilidade de avisar que a dor que ia acompanhar as batidas ia passar um dia, mas que ia demorar. Ninguém falou que 5 minutos depois de estar nas nuvens você poderia levar um puta tombo e se estabacar inteiro no chão. Ninguém tentou te ajudar a impedir essa porra desse coração de bater pra que você sofresse mesmo. Ninguém consegue entender plenamente o que você sente porque ninguém, NINGUÉM consegue acompanhar a batida ritmada do seu coração. Pois é, ninguém mandou ter um coração que bate.
Quando eu achar esse ninguém infeliz ele vai se ver comigo porque ninguém vai sair impune por fazer atrocidades como essas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Cara Platonicidade,
Quero ser bem clara e já começar dizendo que está tudo acabado entre nós e gostaria de pedir para que você se mude para a puta que pariu, o inferno ou o fim do mundo, qualquer um dos destinos acima a sua escolha com tudo pago desde que seja o mais longe de mim possível. Peço desculpas se estou sendo brusca ou bruta para contigo mas desta maneira a situação está insustentável.
Vá para longe e leve contigo a dor, o desespero,, a solidão, o sofrer, o mal-querer e tudo o mais de ruim que te acompanha e por consequência me acompanha também. Durante todo esse tempo suportei a sua presença sem maiores reclamações mais agora vejo que não consigo mais fazê-lo.
Peço desculpas por terminar um relacionamento tão duradouro dessa forma brusca, mas não é você sou eu e eu sei que você vai encontrar alguém que preencha esse espaço de maneira mais competente que eu. Devo estar sendo um pouquinho indelicada ao dizer que foi melhor assim e que seguiremos nossas vidas mais felizes, pelo menos eu estarei mais feliz.
Obrigada por tudo aquilo que você me ensinou, mas acho que nossos dias de união estão próximos de terminar.
Se cuide,
Sem amor e nem reciprocidade como você gosta
Ná"


Felizmente aproxima-se o dia de finalmente enviar essa carta, pelo menos é o que parece.